sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

CYBERDARWINISMO


Aos entusiastas de uma boa leitura recomendo pra este final de ano o livro Neuromancer, de Willian Gibson (disponível no 4shared, gigabooks e scribd). Aproveitem e baixem as continuações COUNT ZERO e MONALISA ACELERADA.



Mas o que Darwin tem haver com tantos implantes simbiônticos e um mundo caótico (um pouco mais do que aqui)? Quem jogou RPG CYBERPUNK 2020 sabe muito bem do cenário e digamos que a ignorância e a alienação das massas, pequenos grupos de pessoas que interagem com a informação e grandes corporações econômico/político com comportamento mafioso que são retratadas neste jogo, não estão muito distânte do que temos atualmente, mas irei, ao longo desta postagem, falar a respeito de Darwin e da cybercultura.



Em tempos de reflexão e humildade, típico de final de ano, um balanço do que fizemos ao longo de etapas, seria bom pensar a importância do bom velhinho barbudo que representou para a humanidade. O presentão "A Origem das Espécies" desencadeou reações de grupos religiosos, políticos e científicos. Vocês sabem o que é alguém mexer com o maior ícone simbólico que é DEUS para divulgar uma pesquisa científica? A principio a proposta de Darwin fora encarada como "apenas" uma teoria, mas somou-se as descobertas de um monge (que poderia ser um monge shaolin pelo impacto de suas descobertas), Gregor Mendel e posteriormente tantos outros trabalhos que tiraram esse patamar de "teoria" pra ser um fato (alias, tantos falam em tom de desdém: ah mas é só uma teoria...). Créditos a Carl Sagan.

Em virtude do "sem-argumentos" criacionismo místico, os cristãos resolveram entrar na universidade para tentar destilar as lacunas, reunindo conhecimentos que, por meio das mais fantásticas falácias, derrubar e ridicularizar os trabalhos de Darwin e outros, trabalho este coroado com o Design Inteligente, que, como um agente infeccioso nível 4 de biossegurança (grave risco ao manipulador e ao ambiente), contaminou cientístas (inclusive biólogos), professores e outros formadores de opinião. Os crentes, mesmo sem uma base científica, se acham munidos de uma poderosa arma em prol da manutenção da fé em um mito.



Em uma sociedade cyberpunk, a informação vale mais do que um milhão e induzir a alienação mais do que um bilhão. Considere que instituições de "pesquisa" do criacionismo receberam altos fomentos durante o governo Bush.



O que a bioinformática propiciou aos estudos de biologia foi sem precedentes, a forma definitiva de calar a boca daqueles que cismam em defecar durante o ato de fonação. Quando comparamos sequências de DNA, RNA e proteínas, podemos traçar a história evolutiva de um grupo, medir a distância da separação do grupo base e o que pode acontecer. E todas as descobertas da bioinformática são devidos a algorítmos (uma linguagem baseada em lógica do fluxo de informações que transitam) e os resultados batem com aquilo que fora proposto pelo bom velhinho que nasceu em Shrewsbury. Se fosse uma ilusão, como os criacionistas querem passar, a evolução não sobreviveria a um experimento (e quantos milhares de experimentos que ratificaram a evolução e meia duzia, baseada em erros e falta de critério e posteriormente corrigidas tem a petulância de criar hipóteses fantasiosas).



Sei que devemos aceitar as diferenças de opiniões, até ignorar o que eles falam, publicam ou os pronunciamentos destas figuras quando eles resolvem ir a rings pra chacotear pensadores de renome, mas quem dá ouvido ou aceita são justamente pessoas não esclarecidas que tiveram uma formação básica que não estimulava a critica e o questionamento do conhecimento e sim uma visão castradora e manipulativa das religiões que impede, mesmo tardiamente, um raciocinar que tem a capacidade de derrubar dogmas e paradigmas. Será que estou vislumbrando uma educação com tal potencial ou é apenas mais um daqueles delírios de final de ano?

No geral, tal como no Neuromante e Matrix, somente é despertado dessa ilusão quem deseja acordar, descobrir como as coisas funcionam e os mecanismos intrinsicos que estão relacionados com os saberes populares.

Enfim, é necessário saber como criar os links.

E sobre os links, um dos links pro livro NEUROMANCER no 4shared é esse aqui:

http://www.4shared.com/document/atwMdYqG/William_Gibson_-_Neuromancer.htm

sábado, 6 de novembro de 2010

Selecionismo x Neutralismo

Os outros mecanismos da evolução realmente existem. A deriva genética, aliada ao furor 'criativo' da DNA, pipocando em polimorfismos múltiplos e mutações, tem seu papel na evolução e no quadrar do círculo da vida. Fatos são inegáveis, para aqueles que não são estúpidos.

Todavia, a vida é adaptada. A única ferramenta capaz de explicar a adaptação da vida é a seleção natural. Não há ainda outra saída lógica.

Ou, então, teremos que acreditar que o acaso, na fortuidade randômica das derivas volúveis, tem a capacidade de adaptar os seres vivos aos seus respectivos nichos.
Eu penso ser improvável. A adaptação dos seres vivos requer uma explicação melhor do que o acaso e a vontade divina, justamente por ambos não explicarem nada!

Quando o meu computador pára de funcionar, levá-lo ao técnico habilitado dá mais resultados do que eu jogá-lo para cima, para ver se as peças se readaptam sozinhas.

Por isso, quando colocamos Deus na jogada, jogamos mais diretamente contra a seleção natural, pois é ela quem faz o papel de artífice consciente (o papel de Deus) sem ser consciente, pois é ela quem ajusta a vida – a adapta - a seus nichos.

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Agora vamos às fascinantes nuances da evolução, nem sempre percebidas por entusiastas principiantes.

Seleção, como o próprio nome diz, seleciona formas ou caracteres em detrimento de outros. Sendo assim, não é nem uma boa explicação para o design ou a complexidade da vida, quanto mais a única.

O papel da seleção é justamente limitar a explosão criativa da vida, peneirando formas e deixando passar poucas delas.

A organização hierárquica dos genes de desenho corporal, por si só, já dá conta do recado do design. Poucas mutações, em certos genes, criam novos pares de pernas e olhos, transformam mãos em asas, alongam ossos, caules e folhas ou variam a cronologia do desenvolvimento o suficiente para se ter desenhos diversos e criativos no reino animal ou vegetal.

Na formação da diversidade existe um equilíbrio entre as mudanças neutras e as selecionadas. É fato. Porém basta que uma população se divida em duas para que divergências genéticas se acumulem e se formem duas espécies diferentes, mesmo sem pressões seletivas diferentes.

Para que a seleção seja atuante e influencie de verdade, precisa de certas condições propícias, que são, principalmente um grande N e uma grande competição ou pressão predatória, muitas vezes aliadas a mudanças ambientais. Cenários assim favorecem a atuação da seleção natural que dificilmente deixa passar caracteres que não aumentam o fitness dos indivíduos. Por isso observamos facilmente a seleção natural em tempo real em nuvens de gafanhotos pulverizados com inseticidas ou virus da AIDS inundados de drogas antivirais.

Mas este tipo de cenário não é tão comum na natureza como pensava Darwin ao examinar as curvas exponenciais de crecimento que lhe inspiraram. Um ecologista conhecido chamado Slobodkin disse que "a terra é verde". Ele se referia ao fato de que, muitas vezes, as populações animais têm um fartura de recursos à disposiçào, configurando um cenário onde há lugar para muitos tipos de variações e onde a seleção atua pouco e a diversidade aumenta.

Outro fato é que parece que a maioria das especiações ocorrem por peripatria. Ou seja, uma pequena parte da população se afasta e se isola, acabando por dar origem a outra espécie. Nestes casos, o N se torna pequeno, e características particulares dos fundadores acabam por se espalhar pela nova espécie sem ter passado por seleção alguma, ou seja, sem ter eliminado outras formas.

Sabe-se que, ao final de grandes extinções, a vida explode em irradiações adaptativas, onde a diversidade aumenta radicalmente em pouco tempo. Nesses casos as poucas populações sobreviventes estão pequenas. Seus integrantes podem ter sobrevivido porque seus caracteres foram selecionados, mas também pode ter sido pura sorte, a depender do tipo de evento catastrófico que provocou a extinção dos outros. Vários deles simplesmente estavam no lugar certo, na hora certa.

Pois bem, temos então o oposto do cenário favorável à seleção. Temos poucos indivíduos, tornando os eventos estocásticos mais influentes, pois com poucos indivíduos, tudo pode acontecer, ao mais apto ou ao menos apto. E temos um ambiente grande, esparsamente ocupado, cheio de nichos e oportunidades à espera dos poucos sobreviventes. Numa situação como esta, há lugar para muitas das tentativas da natureza que, sem a competição pressionando, podem se espalhar, prosperar e fundar novas populações que podem gerar novas espécies ao se isolarem. Novamente, nada (ou muito pouco) foi selecionado.

Isso aponta para outro conceito interessante que é a seleção de habitats. Quando uma nova variação, ou um mutante, adquire uma nova habilidade, ele pode ser capaz de explorar um nicho novo e inacessível para a população. Sendo assim, ele e seus descendentes podem prosperar usufruindo dos novos recursos SEM COMPETIR OU INTERFERIR NO SUCESSO DO RESTO DA POPULAÇÃO, e sem ser selecionado eliminando os outros.

Até mesmo com populações grandes, há boas chances de genes neutros se fixarem pelo chamado efeito carona. Em muitos casos, apesar do grande número de machos, apenas alguns deles monopolizam as fêmeas e se reproduzem. Se eles são machos dominantes, devem ter genes selecionados que os fazem dominantes, mas também possuem muitos outros neutros, que vão se fixar na população, pois a maioria é seu descendente. Então se ele tem um nariz grande, olhos puxadinhos ou um sexto dedo, a população toda pode acabar sendo assim, e selecionistas incorrigíveis como Zé do Brejo vão ficar quebrando a cabeça para "advinhar" as vantagens reprodutivas de tais caracteres (e pior, vão encontrar não uma, mas várias delas, pois sempre se pode inventar um cenário com uma possível pressão seletiva para justificar essas "adaptações").

Realmente, o mecanismo de seleção é o melhor que temos para explicar as adaptações. Mudanças corporais que vão gradualmente ajustando caracteres a um nicho ou função, otimizando seu uso, são bem explicadas por seleção (embora há recentes decobertas como a epigenética que complicam as coisas, falamos nelas depois).

Contudo, o problema é que há poucos casos onde podemos constatar cientificamente que houve adaptação. O fato de caracteres serem "perfeitos" para as funções que realizam não é prova de que foram adaptados para tal.

Muitos caracteres de um organismo, citados como adaptações a um nicho, apareceram muito antes na linhagem ancestral da espécie, sem ter nada a ver com o nicho atual. Um bom exemplo são os pés do pica-pau. Pica-paus têm pés com dois dedos voltados para trás, o que os habilita a se fixar em troncos verticais e é fundamental para que possam picar paus atrás das deliciosas larvas que tanto aprecia. Pois bem, parece um clássico caso de adaptação. Porém, o fato é que esse tipo de pé é um caráter ancestral comum a todos as aves da ordem dos pica-paus, os piciformes. Isso inclui os tucanos e gálbulas que nunca tiveram o hábito de picar paus. Ou seja, apesar de parecer, os pés zigodáctilos não são um adaptação para o nicho dos pica-paus. Ele simplesmente já era assim e começou a explorar este nicho contando com alguns caracteres que já tinha.

Eu já vi muitos defensores da evolução em apuros quando criacionistas falam em "complexidade irredutível". Quer dizer, sistemas formados por muitos componentes, perfeitamente ajustados para uma função, mas que dificilmente podem ter se desenvolvido por acúmulo de estágios intermediários vantajosos, simplesmente porque não são funcionais enquanto incompletos.

Eles ficam em apuros porque se prendem à idéia de que tudo tem que ser selecionado para existir. Acham que tudo tem que ser uma adaptação. Mas muitos desses sistemas tem seus componentes formados em diferentes épocas ao longo da linhagem da espécie, de maneira independente. Alguns podem ter se fixado por seleção nas condições vigentes na época, outros por deriva, mas não estão relacionados com o sistema que existe hoje e nem com a sua função. Então não são adaptações a ela. O que aconteceu foi que, um belo dia, uma espécie descobriu que tinha reunido uma série de características independentes que, uma vez juntas, a tornaram notavelmente apta a explorar um nicho diferente. a ponto de pensarmos que se desenvolveram "para" explora-lo.

Vejam um bom exemplo. Os percomorfa são peixes que habitam os recifes de coral e são notavelmente adaptados a este ambiente. Entre as características "perfeitas" para explorar o seu nicho destacam-se a capacidade de protrusão maxilar, que faz da boca um tubo de sucção ideal para chupar invertebrados dos buracos do recife e as placas dentígeras nos arcos branquiais formando as chamadas 'maxilas faringianas' (dentes no céu da boca e língua) para mastigar a dura casca das presas. Além disso, uma bexiga natatória sofisticada que regula precisamente a flutuação, escamas elasmóides leves e flexíveis e nadadeiras pélvicas deslocadas para frente, bem próximas às peitorais, lhes conferem uma excelente manobrabilidade e agilidade para caçar e se esconder entre os labirintos dos corais.

Tal adequação ao habitat sugere que as pressões seletivas do ambiente de recife "provocaram" essas adaptações e direcionaram a evolução desses peixes. Porém, ao examinarmos a história natural dos peixes ósseos acabamos por descobrir que todas essas características surgiram muito antes, em diferentes grupos ancestrais e em períodos distintos do final do paleozóico até o inicio do cenozóico.

Assim, vemos que as maxilas faringianas surgiram em ancestrais distantes como os primeiros neopterigy. A maxila destacável que permite a protrusão da boca surgiu um pouco mais tarde, na origem dos haleocostomi e bexigas natatórias reguláveis e escamas elasmóides já aparecem na irradiação, mais recente, dos teleostei (maior grupo de peixes viventes). Por último, sendo a única característica própria dos percomorfa, ocorreu o deslocamento anterior das nadadeiras pélvicas culminando finalmente nos ágeis e precisos nadadores do recife de coral.

Acho que isso é um bom exemplo de como "peças" distintas e independentes, um belo dia, se juntam em um bicho e a combinação delas forma uma máquina engenhosa, eficaz na exploração de um nicho.

Só podemos afirmar que houve adaptação quando temos evidências de que as formas atuais foram selecionadas entre outras que foram eliminadas. Ou seja, se conhecemos os ancestrais de uma espécie, sabemos que tais ancestrais exploravam um nicho, e observamos que as formas atuais possuem diferenças favoráveis fixadas na população eliminando as outras, temos um caso de seleção natural. Mas, se tudo que temos é o bicho já "adaptado" não podemos afirmar muita coisa. Ele poderia ter simplesmente inventado este nicho, aproveitando o sortudo fato de já ser daquele jeito, depois de milhões de anos de divergências genéticas, sem direção definida, na sua linhagem ancestral.

Enfim, os seres vivos são um fascinante mosaico de características que podem ter se fixado por seleção ou por puro acaso. Os grandes saltos evolutivos e grandes mudanças de design corporal são mais facilmente explicados pelo acúmulo histórico de caracteres independentes do que por pressões seletivas. À seleção resta um papel de fine-tunning, ajustanto gradualmente caracteres já existentes, aumentando ou entortando ligeiramente asas, bicos ou folhas, tornando-os ainda mais ajustados ao nicho em exploração, tarefa bem mais compatível com a idéia de pequenos incrementos vantajosos.

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À primeira vista, a ciência é um estraga prazeres.

Pois ela, realmente, demonstra que a vida não tem sentido. Em seu mais esclarecedor exemplo, a Teoria do Gene Egoísta de Dawkins, demonstra-se que não passamos de mecanismos - reles máquinas - para a perpetuação de genes inconscientes. Tudo o que há de mais elogiável e execrável em nós, o amor, o ódio, a nobreza de caráter, a consciência, as ações desinteressadas, o ciúme, a inveja, o perdão e mais todos os outros comportamentos que tanto separam os humanos dos escaravelhos e mangustos: não passam de um mecanismo elaborado, construído de modo a maximizar as chances estatísticas da perpetuação de certos padrões físico-químicos que chamamos de genes.
Não somos a causa de nada. Somos apenas o produto de genes inconscientes se em determinado ambiente.

Que dura lição para aquele que já se sonhou à imagem e semelhança de um Deus perfeito e eterno, mas acordou como não mais do que uma espécie de abridor-de-latas, saca-rolhas, liquidificador e demais artefatos de finalidade bem estabelecida e específica.

Porém, algumas pessoas que já leram - e entenderam - O Gene Egoísta, como que colocaram lentes novas no seu modo de perceber a realidade. E, para elas, o quadro que se afigura agora é tão mais bonito, é tão de tal modo encantador e elegante, superando visões metafísicas e religiosas, que o mundo não é mais o mesmo.

Após atravessar esse rio de idéias (para usar a imagem de Heráclito), o mundo se preenche de novos significados. A eterna pergunta "há algum sentido para a vida?" perde o sentido. Pois que justamente aprendemos que a vida, em si, não tem sentido. A vida é o mecanismo de um processo apessoal, amoral, mecânico e inconsciente, que é a reprodução espaço-temporal dos genes. Sim, somos um mecanismo! Apenas mais sofisticado do que aquele saca-rolhas ou abridor-de-latas.

Não possuímos um vento divino animando nossos passos. Para o grande esquema das coisas, somos tão (des)importantes quanto a poeira que se ergueu e foi deixada na indiferença para trás do caminho. Sabemos, agora, que não há um sentido para a vida já previamente impresso pelo fogo divino em alguma tábua de lei perdida na história do mundo.

Ao contrário de desesperançosa, essa mensagem é fantástica! Se a vida não tem um sentido pré-determinado, então, podemos atribuir algum sentido pessoal para a vida! Qualquer um. O que quisermos. A vida não tem sentido, o que tem sentido é viver! Encontre os seus sentidos. As possibilidades são imensas. A realidade toda nos sorri como um girassol com um parque de diversões no meio.

Um parque perigoso, todavia divertido.

Um parque divertido, todavia transitório.

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Bem, eu não afirmei que o conjunto de premissas que você colocou, que inclui a seleção, não pode gerar complexidade. Apenas disse que a seleção não era uma boa explicação para a complexidade e design dos seres vivos.

O que você hipotetizou, assim como Dawkins com os biomorfos, é exatamente uma concentração artificial e conveniente das condições ótimas para a atuação forte da seleção. No caso dos biomorfos então, onde o operador explicitamente escolhe um sobrevivente e elimina sistematicamente os outros, aplainando todos as possíveis variáveis adicionais, a seleção é, por definição, o centro das atenções. O ponto onde quero chegar aqui é que isso não espelha o que acontece na natureza.

A idéia de um algoritmo simples e elegante dando conta, por si só, de toda a diversidade viva é notavelmente atraente. Mas, infelizmente, se apegar a essa idéia confortável é, de certo modo, fugir da complexidade e imprevisibilidade dos incontáveis eventos que podem reger a sucessão de criaturas que observamos na história do planeta.

Um dos aspectos importantes é exatamente este. A história. Quando vemos um ecossistema hoje, temos um retrato instantâneo de como são suas características e relações, e com base neste retrato, tentamos inferir como se desenvolveram.

Um, e apenas um, dos fatores que podem ter influenciado a presença e abundância de uma espécie é o seu fitness. Ou seja, a sua capacidade intrínseca de sobreviver e se reproduzir, mais ou menos, por ali. Mas outros inúmeros fatores, ao longo da história desse ecossistema, determinaram como ele é hoje, e quem vive ou abunda nele. Quer dizer, a sobrevivência dos mais aptos é apenas um dos lados do bem lapidado diamante, com suas diversas facetas, cada uma com seu brilho, a depender do ângulo que se olha.

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Adaptações, pra que te quero
Talvez meus interlocutores argumentem. Ora, imaginar que os genes da Carla Perez são adaptações para o assento é um exemplo alegoricamente forçado. Ok. Acho que é mesmo. Vamos para uma coisa mais séria. Será que podemos pensar no surgimento de pernas e pulmões nos vertebrados como um exemplo confiável de adaptação?

Pernas e pulmões, parecem claras adaptações para viver e se locomover em ambiente terrestre. Parece mesmo óbvio, considerando a eficácia com que tais orgãos perfazem essas tarefas e as vantagens que eles trazem aos empreendedores de tal façanha, que se tratam de adaptações (e, por definição, seleção natural na direção deste nicho). Novamente temos apenas os tetrápodes já com pernas e pulmões já vivendo na terra, andando e respirando. Mas o encaixe é tal que a hipótese adaptativa parece óbvia demais, não?

Pode ser, mas há um furo intrigante. Pulmões e pernas surgiram ANTES, do primeiro peixe ósseo se aventurar na terra. Os placodermos, peixes blindados e exageradamente ossificados, deixaram fósseis calcificados de, pasmem, pulmões. E isso no siluriano, dezenas de milhões de anos antes dos primeiros sarcopterígios andarilhos. Esta descoberta fez os paleontólogos reverem as hipóteses de que os pulmões seriam derivados das bexigas natatórias dos peixes. O que se acredita hoje é o contrário, as bexigas é que derivaram dos pulmões, pois esses são bem mais antigos.

E quanto as pernas, os primeiros peixes que as possuiam, com pés, dedos e tudo, no devoniano, mostram características que indicam (segundo os especialistas) que eles viviam na água e não iam na terra. Apenas milhões de anos depois, alguns de seus descendentes, começaram a explorar o nicho terrestre. Ou seja, contra as espectativas, as pernas e pulmões não são adaptações à vida terrestre. Pressões seletivas para andar na terra não foram responsáveis pelo seu surgimento.

O que houve foi que um bicho já com pernas, pulmões, zigapófises e etc. se aventurou na terra seca e fundou uma nova linhagem. Sem competir ou eliminar outras formas.
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Restrição das restrições históricas.
A história de um ser vivo pode conter um componente de acaso, mas também um padrão intrínseco deslindável.

Realmente, a história da ancestralidade de um indivíduo pode conduzir a evolução para picos inesperados.

Veja o caso do nervo laríngeo recorrente nas girafas. Por mero acaso de sua ancestralidade (afinal, todos temos de ter um ancestral, e ele terá suas determinadas características pessoais) o nervo laríngeo das girafas, ao invés de se dirigir do cérebro diretamente para a laringe próxima, ele sai do cérebro e, para dar uma volta completa na aorta dorsal da girafa, dirige-se para baixo, além de seu alvo, quase à altura de seu peito, para depois voltar para cima e atingir seu contato com a laringe. O desvio custa à girafa por volta de dez metros de axônios desnecessários. Devido à baixa velocidade da condução nervosa, este trajeto recorrente pode custar entre um a dois segundos de atraso entre a eferência cerebral e a sua comunicação na estrutura que a irá materializar.

Um projeto ineficiente.

Tal desperdício acontece porque o nervo laríngeo é o quarto ramo do nervo vago, um dos pares de nervos cranianos.
Ele é originário de ancestrais aquáticos com forma de peixes. Neles, os ramos sucessivos do nervo vago passam por trás dos arcos branquiais sucessivos que vão em direção às brânquias.
Durante a evolução, os arcos branquiais transformaram-se em outras estruturas. Nos mamíferos, o sexto arco branquial evolui para o ducto arterial que fica próximo ao coração.

De certa forma, o nervo laríngeo continua passando no local do sexto arco branquial. Só que tal estrutura desviou-se na embriologia dos descendentes mamíferos, deixando o nervo laríngeo em um beco sem saída, a não ser dar a volta.

Nós, humanos, também temos nervos laríngeos recorrentes em virtude de nosso ancestral comum com a girafa, mas, o desvio é pequeno, aproximadamente trinta centímetros.

O que definiu parte da anatomia do nervo foi a sua história ancestral. A seleção natural não atuou para fazer a recorrência do nervo laríngeo. Aliás, se o fizesse, seria para eliminar tal canhestro projeto.

Todavia, o nervo vago evoluiu por seleção natural, por prestar-se a fazer o serviço a que se presta em nós, em nosso ancestral pisciforme. O que definiu sua função inicial, e pelo menos parte de seu trajeto, foi a seleção natural. O acaso desnorteado dificilmente orientaria um feixe de fibras nervosas, com uma multiplicidade complexa de funções, a estimular os músculos corretos, do modo correto, e em tempo correto.

Parte da história é a própria ‘explicação’ para os fatos. Parte da história pode ser explicada por outros fatos.

Parte da história é acaso, apenas derivada de fatos e o inevitável desdobramento do prosseguimento deles; outra parte, explicável e aplicável a outras histórias.

Pernas, para que vos quero?
O uso das pernas para locomoção terrestre pode ser uma exaptação, não uma adaptação. Isto simplesmente empurra a seleção natural adaptativa clássica um pouco mais para trás no tempo.

Na água, pernas podem servir para nadar (veja uma rã, artêmias salinas); podem servir de apoio, como uma espécie de âncora (veja o caso do peixe sapo-listrado); como espinhos, para proteção (a Wivaxia teria - porque não - as 'pernas' para cima); para andar no fundo do mar e nadar (como os camarões); para andar e escrafunchar o fundo do mar ; podem ajudar a travar e ajustar o parceiro na hora da cópula, etc, etc, etc.

E todas essas formas poderiam ter sido selecionadas naturalmente, na água, antes de darem seu primeiros passos em terra firme, e a seleção natural as ajustou finamente ao novo nicho.

O fato de uma característica adaptativa de hoje, estar presente em um animal do passado, não quer dizer que ela não tivesse uma função adaptativa anterior, selecionada naturalmente que, posteriormente, foi exaptada, por ser selecionada naturalmente de novo.

A existência dessas estruturas não é evidência contra a seleção natural, mas, antes, possível evidência de seu caminho tortuoso e estranho.

Influência Do Marxismo Em Dawkins

Extraido de uma mensagem postada por suelysofia

Um amigo recebeu um email com um artigo elogiando o livro "Deus Um Delírio" De Richard Dawkins e me perguntou se valia a pena ler, já que pretende entrar para o "maravilhoso mundo do ateísmo", segundo suas palavras. Acontece que o artigo é de um site de ideologia marxista e o amigo em questão é avesso a essas questões e perguntou se o livro tem algo a ver com ideologia política e/ou influências. Eu respondi que não percebi isso em nenhum livro dele lido até hoje, mas perguntaria aqui, depois responderia, já que o mesmo não entra em sites de relacionamentos...
A cópia do artigo sobre Dawkins, enviado por ele:
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"• Os primeiros passos da formação da concepção de mundo original atribuída aos alemães Marx e Engels foram dados com a crítica de autores como os irmãos Bauer e Feuerbach. Tais autores, conhecidos na época como jovens hegelianos ou hegelianos de esquerda expressavam, num nível acadêmico, a crítica do sistema de Hegel, animados pela atmosfera das revoluções democrático-burguesas de sua época. Feuerbach era, então, o crítico mais ousado. E seu ateísmo e seu materialismo humanista seriam essenciais na formação do pensamento dos fundadores do socialismo científico.

Os jovens hegelianos encantavam-se com as possibilidades abertas com a subversão atéia do sistema de Hegel. Como não podiam desferir ataques diretos contra a monarquia absolutista da Prússia e o atraso da Alemanha, faziam-no indiretamente, criticando o Estado por meio de sua religião oficial. Foi então que surgiu sua profissão de fé: atacar as idéias religiosas das pessoas, libertá-las da servidão das crenças para que, em seguida, fosse possível transformar o mundo.

Dando um passo à frente, Marx e Engels inverteram a ordem do programa: deve-se antes transformar o mundo para que, posteriormente, as idéias possam ser modificadas. Esse passo teórico decisivo foi dado na obra A Ideologia Alemã, em que a pretensão dos jovens hegelianos é ridicularizada.

De qualquer forma, o ateísmo é um componente central do marxismo. É falsa a afirmação segundo a qual o marxismo pouco se importa com as religiões ou com a crença em Deus. Não há marxismo conciliável com a crença em entidades sobrenaturais. É claro que questões de tática e política não devem ser misturadas aleatoriamente com questões filosóficas: seria inútil pregar o ateísmo diante de uma assembléia de fanáticos de uma congregação evangélica, católica ou muçulmana.

Tal atitude, provavelmente, acabaria mal para o lado menos numeroso. Entretanto, convém aos marxistas manter os olhos abertos para o desenvolvimento da ciência, pois esta é a fonte de sua filosofia. Com a ciência em mente e sem querer ressuscitar o programa dos jovens hegelianos, consideremos agora a obra mais popular do novo expoente do ateísmo científico radical: o biólogo britânico Richard Dawkins.

Deus, um delírio
Richard Dawkins pertence a um seleto grupo de cientistas cuja honestidade intelectual está muito acima do nível sórdido em que são feitas concessões à opinião pública em troca de dinheiro e popularidade fácil. Nas páginas de Deus, um delírio o leitor encontrará uma crítica severa e surpreendente contra aqueles que, por conveniência ou covardia, cederam à pressão do público leigo e das editoras e deram às religiões um espaço nobre entre as realizações intelectuais humanas. Os dois principais alvos desse ataque “principista” são Stephen Hawking, que de maneira cínica inseriu “a mente de Deus” em sua Breve História do Tempo e o também biólogo (aclamado entre o público marxista) Stephen Jay Gould, que em sua obra Pilares do Tempo fez concessões à religião.

Deus, um delírio é a prova viva de que um best-seller não requer capitulações. Seguindo a tradição de grandes pensadores e divulgadores da ciência como Carl Sagan, autor, dentre outros, do sensacional O Mundo assombrado pelos Demônios, Dawkins mostrará ao leitor a última palavra da ciência em oposição ao obscurantismo criacionista, ao fanatismo judaico-cristão, ao fundamentalismo islâmico e a todas as formas de pensamento místico.

Uma das novidades dessa obra em relação ao livro citado de Carl Sagan é a crítica sagaz e bem-humorada do design inteligente – o “criacionismo num smoking vagabundo”. Richard Dawkins domina a lógica da argumentação. O leitor dará boas risadas ao perceber as falácias triviais contidas nos argumentos supostamente sofisticados como o da “complexidade irredutível”. Há vários outros temas interessantes na obra, como a possível explicação biológica (evolucionista) para a vulnerabilidade humana às religiões, o caráter relativo e certamente não religioso da moral, dentre outros.

Mas Dawkins não é um político revolucionário. Por essa razão, apesar do caráter extraordinariamente salutar de sua obra, percebe-se facilmente a existência de algumas lacunas. Exemplo: exceto pela descrição de um experimento destinado a demonstrar o chauvinismo das crianças israelenses, não há uma única menção ao sionismo no texto, apesar de haver extensas passagens dedicadas aos crimes cometidos em nome das religiões. Terá sido uma omissão tática? Por outro lado, certos conflitos militares e políticos têm suas causas reais obscurecidas diante da “causa” aparente das religiões. O leitor não terá, contudo, dificuldades para distinguir a essência da aparência.

Lacunas à parte, a obra é referência obrigatória para militantes e ativistas dos movimentos sociais. Numa época em que o assalto imperialista ao mundo semicolonial volta a ser feito em nome de uma luta do “bem contra o mal”, é sempre bom possuir argumentos científicos contra os ladrões que fingem falar em nome de um suposto deus.

Para concluir, gostaríamos de fazer uma única objeção ao texto, que se refere à origem da vida. Parece-nos haver um pouco de exagero na insistência do autor em qualificá-la como evento “altamente improvável”, como explicaremos abaixo.

A origem da vida: algumas palavras sobre probabilidades
Há poucas semanas, o prêmio da Mega-Sena estava acumulado em 52 milhões de reais. Acertar na Mega-Sena, como todos sabem, é um evento altamente improvável. Na verdade, é surpreendente constatar que um jogo dessa natureza reúna tantos adeptos, pois nenhum outro gera todas as semanas uma quantidade tão espetacular de perdedores – como diz a velha anedota. De qualquer maneira, sabemos (não por experiência própria) que, quase sempre, uma ou mais pessoas acertam a combinação. Como se explica fato tão extraordinário?

Qualquer pessoa que tenha o mínimo de instrução escolar sabe que o número de combinações possíveis de seis números escolhidos entre 1 e 60 é extraordinariamente alto. Quem aposta uma única combinação tem apenas uma chance entre mais de cinqüenta milhões de possibilidades! A probabilidade de êxito para uma única aposta é, portanto, virtualmente igual a zero (aproximadamente 0,00000002).

É por essa razão que seu vizinho que joga todas as semanas sempre perde e continuará perdendo! Caso você o avise sobre tais números, ele certamente dirá que, apesar das probabilidades, alguém sempre ganha! Logo, “com a graça de Deus”, talvez o próximo vencedor seja ele próprio, afinal, sempre se comportou bem e está convencido de que faria bom uso do dinheiro.

É verdade que quase sempre alguém ganha, sozinho ou juntamente com outros apostadores. Esse fato sugere-nos a hipótese de que a ocorrência do evento favorável (acertar a combinação) não é tão improvável assim se fizermos um número suficiente de tentativas. E, de fato, são feitas milhões de tentativas. Há milhões de apostadores. Alguns fazem dezenas de apostas, outros, apenas uma.

Se houver apenas 25 milhões de apostas distintas, a chance de que uma delas seja sorteada é aproximadamente igual a 50%, e o evento favorável deixa de ser improvável, tornando-se até corriqueiro. A verdade, portanto, é que o evento favorável torna-se bastante provável quando se dispõe de um número suficiente de tentativas, apesar de sua aparência improvável (quase impossível) na escala individual, isto é, tendo-se em vista a perspectiva de um único apostador.

Pois bem. A origem da vida assemelha-se a uma edição do “concurso” da Mega-Sena, com a diferença de que o evento favorável aqui é a aparição casual de uma molécula orgânica capaz de fazer cópias de si mesma. Neste caso, o evento favorável, considerando a perspectiva de um único apostador, é muitas vezes mais improvável do que acertar uma combinação de 6 números escolhidos entre 60.

Em compensação, o número de apostadores (moléculas orgânicas submetidas a condições adequadas) é extraordinariamente maior. E, além disso, cada apostador pode fazer a tentativa centenas ou mesmo milhares de vezes, e o tempo disponível para o experimento é de aproximadamente 1 bilhão de anos, sendo que as tentativas ocorrem ininterruptamente! Ora, nessas condições, seu vizinho certamente diria: assim, até eu ganharia!"

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Uma associação interessante de relacionar o pensamento científico com um pensamento sociológico. Dawkins realmente soube explorar bastante tal obra a ponto de poder brincar com conceitos e outros profissionais realizarem contribuições sobre a temática.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Postura científica Vs Mitos, entrevista com Ubirajara Rodrigues

O texto a seguir foi extraído na íntegra do blog ufologiaecienciaemdebate,texto fantástico que deveria ser aproveitado em aulas de metodologia científica.

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Ubirajara Rodrigues é um dos mais renomados ufólogos sérios deste país, com alguns livros publicados, uma vasta área de pesquisa e conhecido por ser um dos ufólogos resposáveis na época pelo famoso caso Varginha. Além disso, suas idéias são simples e direcionam a ufologia a um patamar de estudo mais sério. Fiz esta entrevista com o mesmo, o que foi uma honra, e gostaria de agradeçê-lo desde já.

1- Ubirajara, uma pergunta crucial a todo ufólogo, como você começou a se interessar pela ufologia?

Fascínio, curiosidade, vontade de conhecer. Estes geralmente são os impulsos à busca de todo conhecimento. Como, paralelamente, convivi muito com assuntos relacionados a religiões, notadamente fenômenos chamados espíritas, em razão de meu pai ter sido um aficcionado (e espírita convicto), fui atraído pelo campo do maravilhoso, do extraordinário. Eu não acreditava em UFOs. No entanto, o número crescente de depoimentos, não só no Brasil e no exterior, mas principalmente em minha região, fez com que resolvesse me dedicar à Ufologia, tentando estudar tais casos. Em suma, foi uma tendência de ordem cultural. Depois, com o contato com ufólogos, à época a exemplo de Irene Granchi, Dr. Sílvio Lago, Fernando Cleto Nunes Pereira e outros, resolvi tornar-me um ufólogo.

2- Como pesquisador do caso Varginha, acompanhou muitos ralatos, histórias e etc. Depois de tantos anos de pesquisa acerca do mesmo, chegou a que conclusão acerca deste caso tão comentado?

Como eu encerrei meu livro "O Caso Varginha" (CBPDV, 2001), digo novamente que não há conclusões válidas a respeito. As investigações de vários ufólogos, juntamente comigo, levam a concluir apenas que os fatos, em sua maioria divulgados, ocorreram. O problema é como interpretar tais fatos. Em um grande número de relatos – e relatos têm pouco valor para o pensamento científico – envolvendo muita gente, cenários, instituições etc, fica difícil equacionar tudo de forma a tornar definitivo um entendimento. Esses fatos podem tanto ter explicações de ordem psicosocial, quanto abrigarem algum fundamento ainda não compreendido. Não há provas a serem exibidas, de que, por exemplo, tenham sido capturadas criaturas extraterrestres em Varginha. E se provas não podem ser exibidas, não são provas na exata acepção do termo. Nunca retrocedi em meus entendimentos sobre o Caso Varginha, desde a grande repercussão na imprensa mundial e a publicação do meu livro. Apenas resolvi adotar a postura, recentemente, de não mais fazer afirmações do que não possa ser comprovado condizentemente.

3 - O que acha destas vertentes que rondam o mundo ufológico, como a Ufologia Mística, Ufologia Paraolística, Ufologia holística entre outras?

A chamada Ufologia Mística é por si mesma uma redundância. Todos os que se dedicam ao estudo de fenômenos supostamente transcendentes, não explicados, incomuns ou extraordinários – e aqui podemos enquadrar os UFOs – são místicos por excelência. No entanto, em seu sentido estrito, a ufologia mística não passa da repetição do pensamento e da atitude religiosa. É Um aglomerado de crenças, construído a partir de idéias fantasiosas sem qualquer condições de apresentar alguma demonstração válida. Isto porque pertence ao campo do puro subjetivismo, em que as pessoas fazem uma tremenda mistura de superstições e de pensamentos enfeitados pelas idéias sobrenaturais, sem critérios válidos. Para mim, a chamada ufologia mística é a maior razão do desprezo e do descrédito que o tema possui perante o meio acadêmico, as ciências e grande parte da imprensa. Deviam chamar isto de tudo, menos de ufologia, que é uma expressão cunhada a partir de algo não identificado, que se entende como objeto voador. A ufologia mística seria mais sóbria caso se auto intitulasse como uma área mais correspondente às suas crenças. Cito como exemplo um ufólogo, uma pessoa de muito respeito e sinceridade de propósitos, J. Victor Soares, de Alegrete, Rio Grande do Sul, que na década de 1970 chamava seu trabalho de “navexologia”, ao invés de ufologia. Porque acreditava piamente que UFOs são naves extraterrestres. Isto inclusive é intelectualmente honesto.
Já a Ufologia Holística, neologismo absurdamente imaturo, é uma invenção pobre de intelectos desacostumados ao bom uso de termos com categorias corretas. O holismo, enquanto em seu aspecto denotativo, é tratado nos dicionários, como o Aurélio, como a atitude filosófica que busca tudo abranger, vem sendo deturpado em seu emprego, a bem de se arranjar uma desculpa ridícula para a ausência de condições de tratar do assunto com pensamento científico. Podemos dar ao paciente de um médico, digamos, um tratamento holístico que observe suas condições não apenas físicas, orgânicas, mas também seu aspecto psicológico, emocional, até suas condições culturais, econômicas, enfim sociais. Aos UFOs, podemos dar um tratamento à luz de diversas áreas científicas, como a astronomia, a biologia, a química, a física, a psicologia e muitas outras, para tentarmos estudá-los. Mas isto não significa que seja necessário um pensamento completamente confuso, incompatível entre si, que é a miscelânea inconseqüente entre ciência, religião, superstições e misticismo modista de banca de jornal.

4 - Para você, existem realmente provas ufológicas?
Quando me indagam se considero real o fenômeno ufológico, digo que sim. Porque há um pequeno percentual de casos realmente ainda não compreendidos, que são mesmo fascinantes e interessantes. Mas neste instante estou agindo, também, com minha parte crédula. O que a ufologia nos dá hoje de incentivo é a impressão, em virtude das narrativas muitas vezes complexas, de que há um fenômeno cuja explicação ainda não foi conseguida. Porém, quando alguém faz uma pergunta desse tipo, como se ufológico fosse necessariamente “nave extraterrestre”, digo que esta é a postura que precisa mudar com urgência. Uma postura infantil, que apenas representa a insistência por querermos convencer o mundo de que somos heróis por defendermos uma idéia de realidade ainda inatingível. Não há qualquer prova, nem de longe, de que UFOs sejam naves extraterrestres.

5 - Com seu trabalho A Desconstrução de um Mito, vemos que a ufologia está carente no que se diz a uma "metodologia científica". Pois bem, na sua visão quando finalmente a ufologia será tratada com respeito e, um dia talvez, como uma ciência?

A Ufologia jamais será tratada como ciência, porque nem tem características disto. É uma área de estudos dedicada, até hoje, à compilação de relatos e de alguns raros traços físicos e fisiológicos obtidos em algumas ocorrências. Mas isto não impede que a Ufologia adote um pensamento e uma postura científicos. E quando assim mais agir, será mais respeitada. Acho, porém que o caminho é muito longo, até que se chegue a tal ponto, em razão dos estragos que os próprios ufólogos fizeram com o tema. Por causa de suas crenças, de suas insistências de ordem puramente subjetiva, de seus supostos holismos e de sua completa falta de critério. A metodologia científica já existe por si mesma, claro, e compete à Ufologia tentar aplicá-la sempre que lhe for possível. Veja por exemplo a análise que tentemos fazer de um caso de suposta abdução. Sem o respaldo de profissionais da área de saúde mental (psicólogos, psicanalistas ou psiquiatras), simplesmente uma pesquisa de abdução sequer pode ser chamada de pesquisa.

6- Acerca de questões filosóficas que implicam muito na ufologia, qual seria sua concepção de Deus?

A Ufologia tem implicação filosófica ampla, exatamente por tratar de um fenômeno de características próprias, ainda que na maior parte das vezes indique a presença de componentes afetos a diversas áreas científicas, inclusive das chamadas ciências humanas. Em termos sociológicos, quando pensamos na possibilidade (apenas para argumentar) de se comprovar a existência de civilizações inteligentes extraterrestres e, de forma mais ilusória, que pudessem vir nos visitar, isto significaria um verdadeiro petardo fatal em certos dogmas religiosos, principalmente os de cunho fundamentalista.
Minha concepção de Deus, entretanto, permite-me dar uma resposta bastante curta. Não tenho concepção de Deus. Sou ateu e, para fazer jus à minha condição de ufólogo, bastante convicto.

7 - O que você recomenda no que se diz respeito a uma pesquisa séria por parte dos ufólogos em geral?

Há ufólogos muito sérios no Brasil e no exterior. O movimento em prol de uma Ufologia mais sóbria, com os pés no chão ainda que se dedique a observar o que vai no céu, cresce a cada dia, independentemente de muitos que não se conformam com essa mudança de postura e ficam literalmente irados diante da reação dos que desejam resgatar um antigo sonho. O sonho de que a Ufologia passe ao interesse dos meios científicos, acadêmicos. Basta que os ufólogos adotem métodos corretos, que lhe forem possíveis, de pesquisa e que, para tanto, percebam que somente com o conhecimento científico, fundado na assessoria de profissionais credenciados e competentes, o estudo proveitoso do fenômeno será possível.

8 - Fique à vontade para fazer suas considerações finais, agradecimentos e conclusões.

Agradeço esta ótima oportunidade, de expor meu pensamento em um site criado por um jovem brilhante, para uma juventude sadia e para um público que, temos esperança, um dia será definitivamente presenteado com uma Ufologia livre das fantasias excessivas, das inverdades e das sandices que hoje a maculam principalmente no Brasil.

Fonte: http://www.ufologiaecienciaemdebate.blogspot.com/


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Opinião do autor:

Quando deparamos com mitos, lendas e crenças, é tendência natural que sigamos dois caminhos, ou da aceitação ou da repulsão. Ubirajara Rodrigues fez algo que todos nós deveriamos fazer: analisar com precaução qualquer informação, refletir para depois dar-se o trabalho de divulgar.

Quantos de nós vemos o céu estrelado e imaginações sobre vida além da Terra nos povoa? Quanto tempo levará para que nós tenhamos contato com outras formas de vida? Ou melhor, contato com outras civilizações (o que espero que não seja algo tão agressivo da visão de colonizador x colonizado que fora AVATAR), mas se tratando da fenomenologia ufológica ele coloca dois princípios básicos em pesquisa que também pode ser aproveitado na vida pessoal:

"Por causa de suas crenças, de suas insistências de ordem puramente subjetiva, de seus supostos holismos e de sua completa falta de critério."

NUNCA DEIXE QUE AS SUAS CRENÇAS INTERFERIREM COM UMA DECISÃO.

"A Ufologia jamais será tratada como ciência, porque nem tem características disto. É uma área de estudos dedicada, até hoje, à compilação de relatos e de alguns raros traços físicos e fisiológicos obtidos em algumas ocorrências. Mas isto não impede que a Ufologia adote um pensamento e uma postura científicos."

MESMO NÃO SENDO UMA CIÊNCIA (ou ser um cientista) DEVEMOS SEMPRE ADOTAR UMA POSTURA QUESTIONADORA, EXPERIMENTADORA E RACIONAL QUANTO AOS EVENTOS.

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Tenham um bom dia

sexta-feira, 7 de maio de 2010

COTAS, PRA QUE?

Atualmente nas universidades sobre o fim do sistema de cotas. Eu olhei e pensei "finalmente estão tomando vergonha na puta da cara". Não sou racista, sou racional.

O que é alegado é que o Estado Brasileiro tem uma imensa dívida social com os negros, índios e outros segmentos sociais. A pergunta principal é: temos mesmo? Quando eu aplico uma prova na escola aonde dou aula sempre perguntam se é de consulta, é em dupla ou se é multipla escolha. Por que não pedem para que seja do mesmo nível que é aplicado em escolas de renome ou preparatórias para vestibulares?

Existe sites com links para downloads de livros, apostilas, video-aulas, simulados e todo e qualquer recurso didático que daria o equilibrio para o menos afortunado economicamente e dependendo do esforço individual, pode muito bem estar entre os melhores colocados em qualquer universidade pública. Aonde está então o desiquilibrio?

Quando eu obter as respostas das perguntas acima e que provem que os negros são incapazes de serem intelectuais, eu serei o primeiro a defender o sistema de cotas, mas a verdade é que NÃO EXISTE DIFERENÇAS GENÉTICAS ENTRE NEGROS, BRANCOS, INDÍGENAS OU ASIÁTICOS, apenas diferenças do tipo de manifestação dos genes, ou seja, as proteínas que cada código genético é capaz de ser expressado. Genes que são relativos ao grau de inteligência e genialidade não estão ligados no mesmo cromossomo que indica o percentual de melanina.

Já chega desta hipocrisia racial. Um tempo atras eu li que se todos estiverem num mesmo patamar de conhecimentos, pela dedicação é destacado dos demais. Então ao invés de colocar esparadrapo em um tumor, façam o que se deve ser feito. Cobrem dos governantes uma postura de investimento na educação e insentivo do estudante na escola. Estudantes que encarem o local aonde estão como um passaporte para uma melhoria pessoal e não peçam facilidades e mordomias, encarem desafios e encarem com naturalidade. Este sistema de cotas só serve pra mostrar o quanto somos incapazes de resolver os problemas básicos, tanto da parte dos governantes quanto dos interessados em uma vaga em uma universidade e não querem ter tanto esforço.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

oi povo

Tudo bom com vocês!

Este blog tem a proposta de falar sobre POSSIBILIDADES (ou probabilidades).

Mas possibilidade de que? De dar certo ou errado?

A Lei de Murphy diz o seguinte:

"Se alguma coisa pode dar errado, com certeza dará"

ou

"Se há mais de uma maneira de se executar uma tarefa ou trabalho, e se uma dessas maneiras resultar em catástrofe ou em consequências indesejáveis, certamente essa será a maneira escolhida por alguém para executá-la"

Bom, existe algo onde as chances de sucesso e fracasso estejam tão intimamente ligadas quanto estar dentro de uma faculdade ou curso técnico (e estágios acima de estudo)? É um tanto ridículo falar: filho, estude mais para a prova", "Comporte-se em sala de aula" ou "preste atenção naquilo que o professor explicar". No instante que alguém ingressa em um curso técnico ou passa em um vestibular ACABOU A PALHAÇADA DE BANCAR A CRIANÇA MIMADA, AGORA É CONTIGO MESMO, SE VIRA NOS TRINTA AE O MANÉ.

O mercado de trabalho (sujeito sempre mencionado quando se quer dar uma chamada em alguém que está se comportando imaturamente numa sala de aula quando deveria estar prestando atenção) é implacável e o nível de seleção é um divisor de águas. Se duvidem por que não pagam pra ver?

Vamos conversar mais sobre isso em outros tópicos. Associações serão bem vindas e tenham todos um bom dia ^^.