sexta-feira, 21 de maio de 2010

Postura científica Vs Mitos, entrevista com Ubirajara Rodrigues

O texto a seguir foi extraído na íntegra do blog ufologiaecienciaemdebate,texto fantástico que deveria ser aproveitado em aulas de metodologia científica.

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Ubirajara Rodrigues é um dos mais renomados ufólogos sérios deste país, com alguns livros publicados, uma vasta área de pesquisa e conhecido por ser um dos ufólogos resposáveis na época pelo famoso caso Varginha. Além disso, suas idéias são simples e direcionam a ufologia a um patamar de estudo mais sério. Fiz esta entrevista com o mesmo, o que foi uma honra, e gostaria de agradeçê-lo desde já.

1- Ubirajara, uma pergunta crucial a todo ufólogo, como você começou a se interessar pela ufologia?

Fascínio, curiosidade, vontade de conhecer. Estes geralmente são os impulsos à busca de todo conhecimento. Como, paralelamente, convivi muito com assuntos relacionados a religiões, notadamente fenômenos chamados espíritas, em razão de meu pai ter sido um aficcionado (e espírita convicto), fui atraído pelo campo do maravilhoso, do extraordinário. Eu não acreditava em UFOs. No entanto, o número crescente de depoimentos, não só no Brasil e no exterior, mas principalmente em minha região, fez com que resolvesse me dedicar à Ufologia, tentando estudar tais casos. Em suma, foi uma tendência de ordem cultural. Depois, com o contato com ufólogos, à época a exemplo de Irene Granchi, Dr. Sílvio Lago, Fernando Cleto Nunes Pereira e outros, resolvi tornar-me um ufólogo.

2- Como pesquisador do caso Varginha, acompanhou muitos ralatos, histórias e etc. Depois de tantos anos de pesquisa acerca do mesmo, chegou a que conclusão acerca deste caso tão comentado?

Como eu encerrei meu livro "O Caso Varginha" (CBPDV, 2001), digo novamente que não há conclusões válidas a respeito. As investigações de vários ufólogos, juntamente comigo, levam a concluir apenas que os fatos, em sua maioria divulgados, ocorreram. O problema é como interpretar tais fatos. Em um grande número de relatos – e relatos têm pouco valor para o pensamento científico – envolvendo muita gente, cenários, instituições etc, fica difícil equacionar tudo de forma a tornar definitivo um entendimento. Esses fatos podem tanto ter explicações de ordem psicosocial, quanto abrigarem algum fundamento ainda não compreendido. Não há provas a serem exibidas, de que, por exemplo, tenham sido capturadas criaturas extraterrestres em Varginha. E se provas não podem ser exibidas, não são provas na exata acepção do termo. Nunca retrocedi em meus entendimentos sobre o Caso Varginha, desde a grande repercussão na imprensa mundial e a publicação do meu livro. Apenas resolvi adotar a postura, recentemente, de não mais fazer afirmações do que não possa ser comprovado condizentemente.

3 - O que acha destas vertentes que rondam o mundo ufológico, como a Ufologia Mística, Ufologia Paraolística, Ufologia holística entre outras?

A chamada Ufologia Mística é por si mesma uma redundância. Todos os que se dedicam ao estudo de fenômenos supostamente transcendentes, não explicados, incomuns ou extraordinários – e aqui podemos enquadrar os UFOs – são místicos por excelência. No entanto, em seu sentido estrito, a ufologia mística não passa da repetição do pensamento e da atitude religiosa. É Um aglomerado de crenças, construído a partir de idéias fantasiosas sem qualquer condições de apresentar alguma demonstração válida. Isto porque pertence ao campo do puro subjetivismo, em que as pessoas fazem uma tremenda mistura de superstições e de pensamentos enfeitados pelas idéias sobrenaturais, sem critérios válidos. Para mim, a chamada ufologia mística é a maior razão do desprezo e do descrédito que o tema possui perante o meio acadêmico, as ciências e grande parte da imprensa. Deviam chamar isto de tudo, menos de ufologia, que é uma expressão cunhada a partir de algo não identificado, que se entende como objeto voador. A ufologia mística seria mais sóbria caso se auto intitulasse como uma área mais correspondente às suas crenças. Cito como exemplo um ufólogo, uma pessoa de muito respeito e sinceridade de propósitos, J. Victor Soares, de Alegrete, Rio Grande do Sul, que na década de 1970 chamava seu trabalho de “navexologia”, ao invés de ufologia. Porque acreditava piamente que UFOs são naves extraterrestres. Isto inclusive é intelectualmente honesto.
Já a Ufologia Holística, neologismo absurdamente imaturo, é uma invenção pobre de intelectos desacostumados ao bom uso de termos com categorias corretas. O holismo, enquanto em seu aspecto denotativo, é tratado nos dicionários, como o Aurélio, como a atitude filosófica que busca tudo abranger, vem sendo deturpado em seu emprego, a bem de se arranjar uma desculpa ridícula para a ausência de condições de tratar do assunto com pensamento científico. Podemos dar ao paciente de um médico, digamos, um tratamento holístico que observe suas condições não apenas físicas, orgânicas, mas também seu aspecto psicológico, emocional, até suas condições culturais, econômicas, enfim sociais. Aos UFOs, podemos dar um tratamento à luz de diversas áreas científicas, como a astronomia, a biologia, a química, a física, a psicologia e muitas outras, para tentarmos estudá-los. Mas isto não significa que seja necessário um pensamento completamente confuso, incompatível entre si, que é a miscelânea inconseqüente entre ciência, religião, superstições e misticismo modista de banca de jornal.

4 - Para você, existem realmente provas ufológicas?
Quando me indagam se considero real o fenômeno ufológico, digo que sim. Porque há um pequeno percentual de casos realmente ainda não compreendidos, que são mesmo fascinantes e interessantes. Mas neste instante estou agindo, também, com minha parte crédula. O que a ufologia nos dá hoje de incentivo é a impressão, em virtude das narrativas muitas vezes complexas, de que há um fenômeno cuja explicação ainda não foi conseguida. Porém, quando alguém faz uma pergunta desse tipo, como se ufológico fosse necessariamente “nave extraterrestre”, digo que esta é a postura que precisa mudar com urgência. Uma postura infantil, que apenas representa a insistência por querermos convencer o mundo de que somos heróis por defendermos uma idéia de realidade ainda inatingível. Não há qualquer prova, nem de longe, de que UFOs sejam naves extraterrestres.

5 - Com seu trabalho A Desconstrução de um Mito, vemos que a ufologia está carente no que se diz a uma "metodologia científica". Pois bem, na sua visão quando finalmente a ufologia será tratada com respeito e, um dia talvez, como uma ciência?

A Ufologia jamais será tratada como ciência, porque nem tem características disto. É uma área de estudos dedicada, até hoje, à compilação de relatos e de alguns raros traços físicos e fisiológicos obtidos em algumas ocorrências. Mas isto não impede que a Ufologia adote um pensamento e uma postura científicos. E quando assim mais agir, será mais respeitada. Acho, porém que o caminho é muito longo, até que se chegue a tal ponto, em razão dos estragos que os próprios ufólogos fizeram com o tema. Por causa de suas crenças, de suas insistências de ordem puramente subjetiva, de seus supostos holismos e de sua completa falta de critério. A metodologia científica já existe por si mesma, claro, e compete à Ufologia tentar aplicá-la sempre que lhe for possível. Veja por exemplo a análise que tentemos fazer de um caso de suposta abdução. Sem o respaldo de profissionais da área de saúde mental (psicólogos, psicanalistas ou psiquiatras), simplesmente uma pesquisa de abdução sequer pode ser chamada de pesquisa.

6- Acerca de questões filosóficas que implicam muito na ufologia, qual seria sua concepção de Deus?

A Ufologia tem implicação filosófica ampla, exatamente por tratar de um fenômeno de características próprias, ainda que na maior parte das vezes indique a presença de componentes afetos a diversas áreas científicas, inclusive das chamadas ciências humanas. Em termos sociológicos, quando pensamos na possibilidade (apenas para argumentar) de se comprovar a existência de civilizações inteligentes extraterrestres e, de forma mais ilusória, que pudessem vir nos visitar, isto significaria um verdadeiro petardo fatal em certos dogmas religiosos, principalmente os de cunho fundamentalista.
Minha concepção de Deus, entretanto, permite-me dar uma resposta bastante curta. Não tenho concepção de Deus. Sou ateu e, para fazer jus à minha condição de ufólogo, bastante convicto.

7 - O que você recomenda no que se diz respeito a uma pesquisa séria por parte dos ufólogos em geral?

Há ufólogos muito sérios no Brasil e no exterior. O movimento em prol de uma Ufologia mais sóbria, com os pés no chão ainda que se dedique a observar o que vai no céu, cresce a cada dia, independentemente de muitos que não se conformam com essa mudança de postura e ficam literalmente irados diante da reação dos que desejam resgatar um antigo sonho. O sonho de que a Ufologia passe ao interesse dos meios científicos, acadêmicos. Basta que os ufólogos adotem métodos corretos, que lhe forem possíveis, de pesquisa e que, para tanto, percebam que somente com o conhecimento científico, fundado na assessoria de profissionais credenciados e competentes, o estudo proveitoso do fenômeno será possível.

8 - Fique à vontade para fazer suas considerações finais, agradecimentos e conclusões.

Agradeço esta ótima oportunidade, de expor meu pensamento em um site criado por um jovem brilhante, para uma juventude sadia e para um público que, temos esperança, um dia será definitivamente presenteado com uma Ufologia livre das fantasias excessivas, das inverdades e das sandices que hoje a maculam principalmente no Brasil.

Fonte: http://www.ufologiaecienciaemdebate.blogspot.com/


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Opinião do autor:

Quando deparamos com mitos, lendas e crenças, é tendência natural que sigamos dois caminhos, ou da aceitação ou da repulsão. Ubirajara Rodrigues fez algo que todos nós deveriamos fazer: analisar com precaução qualquer informação, refletir para depois dar-se o trabalho de divulgar.

Quantos de nós vemos o céu estrelado e imaginações sobre vida além da Terra nos povoa? Quanto tempo levará para que nós tenhamos contato com outras formas de vida? Ou melhor, contato com outras civilizações (o que espero que não seja algo tão agressivo da visão de colonizador x colonizado que fora AVATAR), mas se tratando da fenomenologia ufológica ele coloca dois princípios básicos em pesquisa que também pode ser aproveitado na vida pessoal:

"Por causa de suas crenças, de suas insistências de ordem puramente subjetiva, de seus supostos holismos e de sua completa falta de critério."

NUNCA DEIXE QUE AS SUAS CRENÇAS INTERFERIREM COM UMA DECISÃO.

"A Ufologia jamais será tratada como ciência, porque nem tem características disto. É uma área de estudos dedicada, até hoje, à compilação de relatos e de alguns raros traços físicos e fisiológicos obtidos em algumas ocorrências. Mas isto não impede que a Ufologia adote um pensamento e uma postura científicos."

MESMO NÃO SENDO UMA CIÊNCIA (ou ser um cientista) DEVEMOS SEMPRE ADOTAR UMA POSTURA QUESTIONADORA, EXPERIMENTADORA E RACIONAL QUANTO AOS EVENTOS.

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Tenham um bom dia

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